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by Marcos … (english translation coming soon)
Depois de intermináveis 11 horas de vôo atravessando o Atlântico no mesmo avião em que nossos amigos do Ratos de Porão também rumavam para uma turnê européia, finalmente chegamos ao colossal Aeroporto de Frankfurt, onde sem quaisquer contratempos pegamos nossas tranqueiras e passamos pela imigração. No saguão do aeroporto estavam a nossa espera e já com sorrisos estampados no rosto, Ballo e Dom do Rasta Knast. Sim, finalmente estávamos iniciando a 4ª turnê européia do Agrotóxico.
Após os fortes abraços de praxe e sem maior enrolação, fomos direto para as nossas duas vans que seriam quase que nossas casas nas três semanas que se seguiriam.
10.07.2009 - Schweinfurth (Alemanha)
Com um resto de energia que nos sobrava, fomos direto para Schweinfurth, na região da Bavária, onde num centro social com estrutura pra lá de profissional faríamos nosso primeiro show ao lado de Bambix, Rasta Knast e Rawside. Lá chegamos e aos poucos fomos conhecendo o pessoal do Rawside e algum tempo depois com a chegada dos velhos amigos do Rasta Knast e finalmente do Bambix, o line-up estava completo. Após um rango excelente, fomos pro palco e fizemos a passagem de som. Algum tempo depois e já com um bom público no local, fizemos nossa estréia, a qual apesar de legal, não foi o que se pode chamar de ideal, pois tínhamos acabado de atravessar o mundo, viajar algumas horas de carro e ainda por cima, comer como flagelados...enfim, foi o suficiente para uma estréia.
11.07.2009 - Giessen (Alemanha)
No dia seguinte, com as baterias um tanto quanto recarregadas, porém com o cérebro boiando em Pepermint, Jagermeister e cerveja da boa, rumamos para Giessen onde tocaríamos em outro centro social (Jokus).
Após um percurso não muito longo, com direito a uma pequena vomitada pela janela da van, protagonizada pelo Axl, chegamos ao nosso destino. Ritual de descarrego de van, montagem, rango e uma passagem de som um tanto quanto irritante (com técnicos de som a lá Brasil) o Bambix subiu ao palco pra um show bacana enquanto enchíamos a lata – sim, sim, a gente gosta disso- e logo após, foi nossa vez pra um show senão muito bom, pelo menos melhor de nossa parte. O público se mostrou interessado, mas assim como nas outras bandas e salvo alguns bebaços, não era lá muito de pogar. Nosso show foi seguido do ótimo Rasta Knast e do Rawside que como na noite anterior, mandou muito bem.
12.07.2009 - Augsburg (Alemanha)
Na manhã seguinte e com aquela ressaca monitorada por engovs rumamos pra Augsburg até chegarmos ao Kantine Club, um lugar muito legal e estruturado, que àquela altura tinha na sua programação bandas como Depeche Mode, Business e CJ Ramone. Nessa noite, fizemos um show bem mais solto e vibrante, com certeza o melhor até aquele momento e não fosse o fato de pegarmos o público ainda frio (fato que se repetiu algumas vezes durante a tour) acho que poderia ter sido ainda melhor, apesar daquele público assim como das noites anteriores não ser bem o que estamos acostumados e preferimos. Bom, menos mal. Naquele show, além da banda de abertura, da qual não me lembro o nome, Rawside e Rasta Knast (que fez o melhor show da noite) tocaram ainda os caras do SS-Kaliert com quem ainda encontraríamos diversas vezes durante a tour.

13.07.2009 - Callac (França)
Pé na estrada novamente com destino à França para o Festival Vive Le Punk. Uma passagem não muito amistosa pela fronteira e nada mais nada menos que 18 horas dentro de uma van (que felizmente possuía uma cama) para finalmente chegarmos ao nosso destino. Pouco antes do local do show, fomos avisados por alguns punks que havia um bloqueio policial, pelo qual, todavia, tanto nossa van, quanto a do Rawside passou sem maiores problemas. Pouco tempo no local (onde nego louco e podre era mato), encontramos com o Gordo do RDP que também tocaria no festival. Pouco tempo depois, o Jão também já estava conosco e as risadas e causos apenas estavam no começo.
Após o ótimo show do Fleas and Lice e das bandas que o antecederam, chegara a nossa vez. Um rápida checada no som e começamos os primeiros acordes de G7. Àquela altura, muita gente ainda estava na parte externa do pico, o qual, todavia foi enchendo ainda durante o primeiro som. Na terceira ou quarta música, o pico onde cabiam pelo menos umas 1500 pessoas já estava cheio e diferentemente dos dias anteriores a pancadaria comeu solta.
Esse foi sem dúvida o primeiro grande show da turnê, tocamos pra um público muito mais “True” que nas noites anteriores e fomos muito bem recebidos e elogiados. Após nosso show, o Rawside foi ao palco e como sempre fez um ótimo show e depois deles foi a vez do Ratos que como já era de esperar colocou o pico abaixo com a precisão e a velocidade de sempre.
Após o RDP, subiu ao palco o Varukers, uma lenda do hardcore mundial que numa já esperada performance violenta e direta fez um excelente show, com destaque para as rasgadas e precisas guitarras de Beef e para o inconfundível carisma do vocalista Rat..
Após o contagiante show do Heyoka entoando hinos anarquistas de arrepiar qualquer um, foi hora de seguirmos para a casa onde dormiríamos, a qual era na verdade uma fazenda aparentando ter sido erguida há séculos. Uma ótima noite de sono, um excelente show e era tudo que precisávamos pra prosseguir em nossa maratona de shows.

14.07.2009 - Nancy (France)
Com a sensação de dever cumprido e após conhecermos e conversarmos com o pessoal da Mass Prod que organiza o Vive le Punk, viajamos com destino à Nancy (Soap Box Club). Já tínhamos tido uma boa experiência por lá em 2007. O Soap Box é um pub pequeno, mas repleto de gente muito legal e receptiva e assim como há dois anos atrás, tivemos uma recepção muito boa.
Sem muitas embaço, o Rawside começou a barulheira. Num local pequeno e com o público bem perto, a banda fica ainda mais violenta e visceral. Legal, como sempre.
Com o mesmo equipo dos caras, foi a nossa vez. Deu pra reconhecer muitas pessoas que estavam no show da outra turnê e muitos deles já conseguiam cantar conosco alguns refrões. O show foi rápido e intenso, o som estava bom e bem alto pro local. Acho que mais uma vez deixamos uma boa impressão em Nancy e após o show, depois de nos despedirmos do Rawside, batemos um bom rango, um ótimo vinho e algumas garrafas de cerveja mais, foram suficientes pra nos “derrubar” no quarto das bandas que fica no próprio pico. Foi uma noite divertida.

15.07.2009 - Viena (Áustria)
Dia seguinte, viajamos com destino à Viena. Chegamos ao Arena, um antigo e enorme squat (atualmente legalizado) com palco ao ar livre, espaços para shows menores, pub e também um espaço de show para umas 500 pessoas, onde tocaríamos. Após um bom rango, um futebolzinho de leve com os caras do Rawside que a essa altura já eram mais que brothers e algumas cervejas com nossos amigos do RK, foi a hora de conhecer o pessoal do Troublemakers que juntava-se à tour para alguns shows.
Os caras além de serem excelentes músicos, são gente finíssima e não demorou nada para estarem plenamente integrados à tour. O Troublemakers abriu o show, com um set muito vibrante e uma performance segura e competente, embora nas primeiras músicas a maioria do público ainda estivesse do lado de fora. Nós, o Rawside e o Rasta fizemos os shows seguintes num clima muito legal, o público era caloroso e receptivo, nele incluído os nossos já tradicionais amigos brasileiros, sempre presentes aos nossos shows na Áustria.
O calor do palco era surreal. Estávamos em pleno verão europeu e num dia especialmente quente, onde os holofotes transformavam o lugar num inferno, porém nada atrapalhou e a noite acabou no pub do Arena onde enchemos a cara com tudo que tinha álcool, com destaque pra uma infame invenção dos caras do Rawside, de misturar vodka com suco de frutas em pó (misturar tudo dentro da boca, quero dizer). Nessa noite, confesso que não me lembro de como fui parar no quarto, mas me lembro de acordar de manhã num quarto quente, cheio de beliches e com um monte de gente roncando...típica manhã de uma turnê...

17.07.2009 - Pabneukirchen (Áustria)
Van carregada e nosso comboio seguiu para Pabneukirchen, uma pacata cidadezinha no interior da Áustria. Durante o trajeto o calor era quase que tropical e então alguma inteligência superior (não sei ao certo se foi o Martin – RK ou o Henne do Rawside) teve a brilhante idéia de paramos numa espécie de clube que possuía 2 grandes lagos artificiais, bar e tudo mais....Acho que é até possível imaginar marmanjos de 4 bandas punks agindo como crianças, pulando na água e no final de tudo, debaixo de um sol perfeito, tomando várias cervejas geladas...por alguns minutos nos sentimos nas praias do Brasil...bom, mas como não fomos até lá pra eventos tropicais, pé na estrada...
Após uma viagem até curta, desembarcamos no local do show e era realmente difícil imaginar que alguém fosse a um show num local tão ermo, mas até que um bom público esteve presente, porém, formado principalmente por adolescentes um tanto quanto desinteressados com os shows.
Nessa noite, a primeira banda foi o Unavoidable, uma ótimo grupo austríaco, que sem muita pose fez um show rápido e objetivo com músicas criativas e muito bem executadas. Vale a pena conferir. Após foi a vez do Troublemakers, que na minha opinião fez o melhor show da noite com uma sempre ótima postura de palco e perfeita execução das músicas. O Rawside foi a banda seguinte e conseguiu atrair um bom público para as proximidades do palco.
Logo após o Rawside subimos ao palco, mas para nossa “sorte” alguns moleques começaram a se quebrar na porta do pico, com direito até apresença da polícia, o que não é difícil imaginar era uma situação muito mais interessante do que nosso show, assistido apenas pelos amigos e mais meia-dúzia de gatos pingados. O legal da noite foi que, descompromissados com público, ficamos zuando o tempo todo e sem maiores avisos passei minha guitarra pro Martin do Rasta Knast pra Marcas da Revolta que, por incrível que pareça ele tocou como se tivesse ensaiado. Divertido!! Finalmente, foi a vez do Rasta Knast que após a volta da molecada com o fim da confusão, tirou leite de pedra e fez um divertido show.
O final da noite foi regado a alguns shots de tequila (bem fraquinha por sinal) e então fomos para um centro social que seria nosso sleeping place. Talvez lá tenhamos tido os momentos mais divertidos da noite junto com o pessoal das bandas e alguns perdidos e perdidas do público que acabaram aparecendo por lá.
18.07.2009 - Luzern Suíça (Suíça)
Dia seguinte, chuvinha chata e juntamente com Martin e Atti (Rasta Knast) que embarcaram na nossa van, pegamos a estrada com destino à Suíça. O Martin fez uma gambiarra total e instalou um DVD portátil na van e em meio ao sono da manhã pela noite mal dormida, assistimos a um documentário do Ramones e depois a episódios do Bob Esponja (em alemão!!!) e mais alguns outros filmes que nem vale a pena comentar....bom, vocês podem imaginar!!!!
Depois de atravessar Liechtenstein em questão de minutos - pois é, acho que esse país é menor que a Cidade Ademar ou Pirituba - chegamos finalmente à Suíça e a visão dos alpes, ainda que à distância é espetacular. Apesar de estarmos em pleno verão, as montanhas mantém neve em seu topo e pra “zé-ruelas” como nós, isso é o máximo!!!
Chegamos ao Sedel e o lugar deu toda a impressão de que o show seria muito bom, e de fato foi, cerca de 400 pessoas no local, som excelente e público muito receptivo. Nessa noite fizemos um dos melhores shows da turnê e pudemos sentir as pessoas muito interessadas e agradecidas por estarmos lá. A Suíça não é o que se pode chamar de uma parada obrigatória nas turnês européias e, portanto, assim como no Brasil, o público aproveitou cada minuto de todos os shows, divertindo-se e “pogando” sem parar. Nessa noite, vendemos praticamente todo o merchandising que levamos conosco, pois boa parte dele ficou na Alemanha devido a um certo risco de taxação na fronteira e também por isso, percebemos o quanto o Agro despertou interesse e foi bem aceito nessa sua primeira passagem pela Suíça.
Após o show, enchemos a lata com estilo e já nas primeiras horas da manhã, cambaleando procuramos pelo nosso quarto no próprio local do show, o qual curiosamente, tratava-se de uma antiga cadeia. Bom, agora ele tem um fim bem mais nobre.
19.07.2009 - Freiburg (Alemanha)
Nos despedimos dos “Rastas” que voltariam à Alemanha e após uma viagem curta até Freiburg que faz divisa com a Suíça, chegamos ao Atlantik, um pub tradicional bem no centro da cidade. Chegamos, desembarcamos as coisas, comemos e ainda meio detonados pela noite anterior, assistimos ao sempre bom Trouble Makers. Fomos para o palco e apesar do cansaço fizemos um show legal, por mais detonado que se esteja, quando o clima é bom, a gente acaba achando uma energia extra e com ela conseguimos uma boa resposta do público e alguns momentos de intensa “pacandaria”, o que nem parecia possível devido ao aspecto do local.
O Rawside fechou a noite com um show que não deixou a animação da galera cair, os caras são precisos e profissionais, não importando as condições do público ou do local.
Após o show e após conversarmos com vários punks da cidade e cantarmos juntos alguns hinos do Punk Rock que saiam dos alto-falantes, fomos para o apartamento do dono do pub (também manager do Exploited em várias turnês, inclusive no Brasil). Eu, o Pedro e o Axl, conversamos bastante com o sempre gente boa Martin do Rawside sobre o que nos esperava no Force Attack enquanto o Jef e o Arthur repetiam a sinfonia de roncos de outros anos, arrancando risadas dos que ainda estavam acordados.
20.07.2009 - Antuérpia (Bélgica)
Já sem os camaradas do Trouble Makers que terminavam sua participação na tour e também sem o Rasta que voltava pra casa por alguns dias, partimos com o Rawside para nossa primeira passagem pela Bélgica.
Após um longo percurso, chegamos finalmente a um squat na periferia da cidade. O local, bem simples, tinha um palco improvisado na parte externa, onde rolaria o show. Montamos o palco, comemos alguma coisa e tomamos umas cervejas quentes enquanto o dia ia virando noite (o que no verão europeu ocorre por volta das 22:00).
Os caras acenderam uma fogueira, mais algumas pessoas chegaram, mas deu pra perceber que seria um show bem modesto. Nessa noite, o Rawside tocou primeiro e embora limitado pelas condições do local, mandou bem. Devido à ausência de um grande público, fomos todos para as imediações do palco e a zueira regada com algumas garrafas de vinho de nosso estoque da van, transformou o que poderia ser uma entediante noite, numa divertida situação. Rawside fora do palco e lá fomos nós. Movidos pelo bom clima do local e também por todas as adversidades que acabam se transformando em combustível, tentamos fazer o melhor show que poderíamos, e acho que de fato fizemos, o que se notava pela reação do público e mesmo dos caras do Rawside que assim como fizemos, marcaram presença.
Fim de show, conversa com o amigável pessoal do local e pegamos estrada, pois nos pareceu melhor encarar algumas horas durante a noite e poder descansar até mais tarde no dia seguinte na casa do Ballo.
21.07.2009 - Verden (Alemanha)
Após cruzarmos uma pequena parte da Holanda, chegamos a Verden, o QG da Break the Silence. Dormimos confortavelmente na casa do Ballo e no dia seguinte fomos para o pico do show. Lá conhecemos Jens quem viria a se tornar um amigo e companheiro de turnê, o qual nos presenteou com algumas camisetas do Agro que ele mesmo fez. Muito legal.
Enquanto descarregávamos as coisas, o pessoal do The Freeze (lendária banda americana) chegou ao local. Os caras foram muito simpáticos desde o início, demonstrando interesse no Agrotóxico, na cena brasileira, enfim...
Cumprindo o previsto e já com um bom público no local, fomos a primeira banda da noite. Fizemos um show legal, as pessoas pareceram gostar, mas a ausência de uma banda de suporte é sempre sentida, pois no momento em que o público perde a timidez e começa a se envolver mais no show, este já está no final. Enfim, valeu. Haviam várias pessoas lá para nos ver e isso é sempre gratificante.
O The Freeze então foi pro palco e mandou um show de qualidade, um punk rock rápido e totalmente “americano”, com uma perfomance do vocal que me lembrou Dave Dictor do MDC. Após os shows conversamos bastante com os caras, sobre a antiga e a atual cena americana, as dificuldades de excursionar por lá e assuntos realmente relevantes como o fato dos alemães não colocarem as cervejas na geladeira!!!

22.07.2009 - Dresden (Alemanha)
No dia seguinte, já com Jens e sua filmadora fazendo parte da tour, rumamos para Dresden, num percu rso não muito longo.Chegamos ao local e de cara deu pra sacar que seria uma noite legal, o Chemiefabrik é um pico totalmente punk e com uma boa estrutura, as pessoas eram amigáveis e o som do palco já na passagem pareceu legal.
O que eu particularmente não esperava era a quantidade de pessoas que iriam ao show, não dá pra precisar muito, mas acho que pelo menos umas 400 ou 500 pessoas apareceram, o que pra uma quarta-feira, não poderia ser melhor.
Após duas bandas de abertura, uma delas o excelente Mondo Gecko de Israel, fomos pro palco e mesmo antes dos primeiros acordes, a sala do show já estava cheia. Mandamos o set da melhor maneira possível e o bicho pegou total, pogo violento, cerveja voando pra todos os lados, calor terrível, pessoal subindo no palco e pedidos de bis, ou seja, festa completa para lavar a alma.
O show do Rawside foi caótico e demonstrou mais uma vez a grande competência da banda e seu grande reconhecimento na cena alemã.
O after party naquela noite, foi da mesma forma muito divertido. Vários amigos, dentre eles a simpática Tanja quem voltaríamos a encontrar no Force Attack e também o nosso velho e bom amigo Papa, um punk da velha guarda que tinha viajado dos subúrbios de Leipzig apenas para conferir nosso show. Bebedeira completa, shots de Schnaps (como os alemães chamam as bebidas destiladas tomadas num só gole), risadas com os impagáveis Eppler e Wich do Rawside, algumas disputadas partidas de pebolim e capotamos no quarto das bandas já nas primeiras horas da manhã.
23.07.2009 - Osnabrück (Alemanha)
Após algumas horas de viagem, chegamos em Orsnabruck e lá encontramos o pessoal do Bambix, de volta à tour. O local do show era bem legal, um bar com uma enorme pista de skate indoor nos fundos. Após uma troca de cordas e revisada nos instrumentos, ajudamos na montagem do palco, o Rawside passou o som e mandamos um falafel ali mesmo. 
Quem abriu o show da noite (que na verdade ainda era dia) foi uma banda local. Nessa hora poucas pessoas estavam no pico e algumas outras do lado de fora.
O Bambix fez o show seguinte num clima divertido enquanto eu e o Eppler fazíamos comentários nada amigáveis porém engraçados sobre a performance de alguns caras que se aventuravam a dançar.
Nossa vez e com um som muito bom, fizemos um show bacana, não foi o que se pode chamar de espetacular, porque o lugar não estava muito cheio e tudo mais, mas ainda assim, ficamos com a impressão de que a nossa parte foi bem feita e isso se refletiu em muitos comentários positivos do pessoal que estava presente.
O Rawside fechou a noite com a mesma competência de sempre e de lá, após esperar por uma mina do local que nos levaria para nosso destino, fomos dormir ainda meio baleados pela noite anterior.
24.07.2009 - Muelheim (Alemanha)
Na manhã seguinte pegamos estrada com destino a Mulhein, onde não tínhamos qualquer idéia do que nos esperaria e surpresa não poderia ser melhor.
Quando chegamos ao local, tivemos uma notícia chata, o Henne estava com uma gripe forte e Wichi com dores na mão e por esta razão o Rawside não tocaria nem nessa noite, nem nos próximos shows e somente os reencontraríamos no Force Attack. Pena.
Isso, aliado ao fato de que o Rasta Knast também não iria tocar, pois o Martin também se recuperava de problemas de saúde, deixou um clima meio triste nos primeiros momentos, mas isso nos trouxe uma maior obrigação de fazer um grande show pra suprir (se é que é possível) a ausência de duas bandas tão boas.
O público foi chegando e chegando e mesmo avisado sobre a não-participação do Rasta e do Rawside, entrou normalmente no local (um squat enorme e super bem organizado). Alguns momentos antes do show do Vladimir Harkonnen (excelente banda com ex-integrantes do Bonehouse), recebemos a notícia pelo pessoal do SS-Kaliert que também estava por lá, que o show já era sold-out !! Fui até lá fora pra conferir e foi até difícil chegar na porta, pois o pico estava realmente lotado (umas 500 pessoas) e pra minha surpresa, ainda havia cerca de 150 ou 200 pessoas lá fora!!!
O Vladimir Harkonnen começou a noite em grande estilo, os caras tocam muito bem e tem músicas bem trabalhadas, mas ao mesmo tempo objetivas, bem no estilo crossover. Na hora do show dos caras, o som estava alto demais e somando-se à lotação do lugar, era difícil ficar lá, mas deu pra ter uma boa idéia da qualidade da banda. Em seguida fomos pro palco e fizemos um dos melhores shows da tour. Assim como Dresden, a gig teve presentes todos os elementos de um bom show de hardcore: Pancadaria, calor, amigos, caras subindo e caindo no palco, etc. Durante um dos sons, lembro de ver nosso grande e velho amigo Nik do Gee Strings chegando ao local e indo direto para o pogo. Isso foi sensacional!! Alma lavada e corpos lavados!!!
O Bambix veio a seguir e num clima mais melódico e festivo, fechou a noite!
Depois dos shows passamos horas conversando e bebendo com o Nik, Ballo, o pessoal das bandas e outros novos e velhos conhecidos. Essa noite foi sem dúvida um dos melhores momentos de toda a turnê!!
25.07.2009 - Kiel (Alemanha)
As expectativas para o show de Kiel eram grandes. Na última vez que tocamos por lá, aliás no mesmo local (Alte Meierei Squat), nos surpreendemos com um bom público, mesmo tendo o show sido marcado com pouca antecedência, e, portanto, dessa vez, tudo indicava que tudo seria perfeito.
Ao chegarmos ao squat, nossas expectativas começaram a se confirmar, muita gente já estava do lado de fora e o clima parecia ótimo. A pedido do organizador do evento, seríamos a última banda da noite, pois segundo ele, a expectativa pela presença do Agrotóxico na cidade era grande. Ótima notícia.
Quem abriu a noite foi o Bambix, seguido pelo sempre perfeito Rasta Knast e o Vladimir Harkonnen, que fez um show excelente e movimentou e muito o público presente.
Fomos pro palco, na responsabilidade de fazer um grande show, pois estávamos diante de aproximadamente 400 pessoas que já tinham presenciado grandes bandas naquela noite.
Apesar de alguns problemas técnicos e alguns imprevistos, acho que não decepcionamos, apesar de eu particularmente acreditar que poderíamos ter feito algo melhor, entretanto, conversando com o pessoal do Rasta Knast e também do público após o show, a impressão é que estes imprevistos não atrapalharam, pois todos, sem exceção, nos elogiaram bastante.
Após o show, mais uma memorável festa ao som de clássicos do Punk Rock alemão como Slime, Canal Terror e outros, muitas cervejas e schnaps com nossos novos e velhos amigos, como o folclórico Kalle (ex-Bonehouse) que diga-se de passagem, durante o nosso show, subiu ao palco tascou uma mordida nas costas do Pedro (?!?!?!?!). Dormimos no apartamento de um dos caras que organizaram o show e na manhã seguinte reencontramos o pessoal das bandas no squat para um ótimo café da manhã. O pessoal do Alte Meierei foi realmente muito atencioso e receptivo e acho que de agora em diante, esse local passou a ser parada obrigatória em todas as nossas futuras turnês!
26.07.2009 - Hamburgo (Alemanha)
Rumamos finalmente para Hamburgo, nossa cidade favorita na Alemanha. Após cruzar a famosa ponte e ver de longe o rio que corta a cidad,e fomos direto para a região de Altona onde fica o Lobusch. Chegamos ao Lobusch e fomos recebidos por Aggel que de sorriso aberto, nos deu boas-vindas. É sempre muito bom rever as pessoas e descobrir que mesmo vindos de tão longe, somos lembrados e bem-vindos por toda a Europa.
Montamos nosso equipo com a ajuda dos sempre prestativos Jens e Ballo, já que o nosso amigo Pedro passeava alegremente por Hamburgo enquanto nós montávamos sua bateria...Enfim, equipo montado, Aggel nos mostrou nosso quarto e fomos a um local quase que na rua do Lobusch onde bateríamos um rango. Fomos recebidos por uma figurassa...um punkão old school divertidíssimo e muito hospitaleiro, que com orelhas forradas de piercings, a cara toda tatuada e tudo mais, nos contava sobre sua intenção de escrever um livro de receitas e histórias sobre as bandas para as quais já cozinhou no decorrer dos anos.
O cara nos serviu um ótimo rango (apimentado como o inferno, mas bom!!) e num clima muito divertido permanecemos lá com o pessoal do Bambix, Ballo, Jens, etc... Voltamos para o Lobusch e lá encontramos alguns velhos e queridos amigos como Thomas (Ex-Rasta Knast e atualmente no Leitunsgruppe Maulich), seu irmão Olli e suas respectivas namoradas.
Conversamos um pouco, marcamos algumas coisas para os próximos dias e já era tempo de subir no palco, pois Ballo nos pediu para tocar primeiro.
Ainda meio estufados de tanta comida e com a maioria do público do lado de fora, mandamos os primeiros acordes e o público foi chegando...da metade do show pra frente, o Lobusch já estava completamente lotado, o que foi motivo de surpresa até para o Aggel, que disse não esperar tamanho público num domingo.
Fizemos um show cansado, mas foi o que conseguimos diante da situação...ao final o público pareceu gostar e pediu mais algumas músicas. Tocamos e descemos para algumas cervejas enquanto o Bambix foi pro palco para fechar a noite.
Um detalhe um tanto chato naquela noite, foi o fato de diversas pessoas terem vindo até nós reclamando de termos tocado primeiro e por tal razão elas teriam perdido boa parte do show e algumas até o show inteiro. É difícil argumentar com pessoas que viajaram 100 km ou mais pra ver sua banda e ao final, não conseguiram. Enfim, essas coisas acontecem e difícil para nós poder evitar.
No final das contas, o ponto positivo é saber que o Agrotóxico é querido por muita gente em Hamburgo, pois havia cerca de 200 pessoas no local num show não tão divulgado, num domingo e, especialmente, numa cidade que tem shows quase todas as noites.
Após o show do Bambix ficamos conversando e bebendo com os caras por horas e só após muitas histórias divertidas contadas por Diego, Patrick, Barbie e Vic, subimos cambaleando os seis andares do Lobusch para uma boa noite de sono.
Days-Off
27 à 29.07.2009 
Alguns dias antes do show de Hamburgo, em conversa com Ballo e também com o pessoal do Trouble Makers, chegamos à conclusão em comum acordo, que seria melhor cancelarmos os shows da Suécia. Estes tinham sido marcados meio que de última hora e segundo o pessoal do Trouble Makers, sem muita divulgação e respectivamente numa segunda e terça, as chances de locais vazios era muito grande, o que não justificaria uma longa, cansativa e muito cara viagem.
Dessa forma, na manhã de segunda nos despedimos de Jens e Ballo que voltariam para Verden e nos reencontrariam na quarta-feira para continuarmos a tour.
Nesses dias de folga tivemos finalmente um pouco de descanso e lazer, alguns rolês pela Reeperbahn, uma visita ao Millerntor (Estádio do St. Pauli), pubs e um fantástico show dos lendários Dickies no Hafenklang club. Valeu e muito para retomar a energia para a reta final da turnê.
Quarta-feira reecontramos Ballo e fomos até sua casa onde encontraríamos nossos brothers do Rasta Knast para um churrasco. Cachaça 51 trazida por mim do Brasil, uma Pitú comprada por eles, frutas, carnes vegetarianas e muita cerveja e estava feita a festa. Juntaram-se a nos vários novos amigos, como Ella, Agnes, Jenny, Jens e porque não o divertido cachorro Swany. Divertidíssima noite e acima de tudo uma grande demonstração de amizade e hospitalidade. Ficamos realmente muito felizes.

30.07.2009 - Bochum (Alemanha)
Bochum, assim como Neubrandemburg foi um show fechado quando já estávamos na estrada, mas nem por isso menos divertido. Nós temos uma grande e antiga ligação com a cidade e o pico do show (Wageni), pois a Dirty Faces fica lá e, portanto, é sempre bom rever os amigos Volker e Asia, além de que, talvez pela facilidade em encontrar nossos discos, o público da cidade sempre demonstra muito interesse nos shows, tanto é que, mesmo com a pequena antecedência da marcação de sua marcação, muita gente foi ao local e lotou toda a área do Wageni.
Fomos a única banda da noite e apesar de muitos problemas no baixo que parou o show por alguns minutos, a coisa acabou engrenando e acabou num clima legal.
Ao som de Gogol Bordello e outras bandas do estilo, ficamos no pico por algum tempo e então fomos para o squat onde dormiríamos, ou melhor, onde pensávamos que dormiríamos, pois não imaginamos que a galera de lá quisesse fazer um divertido, mas interminável campeonato de pebolim justamente no quarto das bandas..haha...enfim, eu fiquei jogando, mas os pobres diabos sofreram pra pegar no sono. Na manhã seguinte fomos à casa do Volker que agora também virou o QG da Dirty Faces, acertamos algumas contas, compramos um monte de tranqueiras por precinhos camaradas, nos despedimos dos nossos queridos amigos e voltamos pra estrada.
31.07.2009 - Neubrandemburg (Alemanha)
Fomos para Neubrandemburg para um show que supriria o cancelamento do show do Kopi em Berlin, ocorrido poucos dias antes do início da turnê. Aliás, tal fato merece um parêntese, pois talvez não seja demais deixar registrada a injustiça de que fomos vítimas.
Apenas alguns dias antes do início da turnê fomos informados pelo Ballo que o show do Kopi tinha sido cancelado por iniciativa do Basti, (um cara que havia sido nosso motorista na primeira metade da turnê de 2007 e que até este momento sempre nos pareceu gente boa), pois bem, segundo este nós lhe devíamos dinheiro, o que teria motivado que este conversando com o pessoal do Kopi, tivesse cancelado nosso show.
Absolutamente surpresos por, primeiramente sabermos que não devíamos nem sequer um centavo ao cara e também por ter tal situação vindo à tona dois anos após a turnê, tentamos entrar em contato com ele, ainda acreditando tratar-se de um mal entendido. Para nossa surpresa, este nos disse que lhe devíamos 30 euros por cada dia em que ele teria dirigido nossa van, o que nos causou indignação e surpresa, pois nunca tínhamos feito qualquer acordo com ele, mas sim com o Timo da Alerta Antifascista Booking (que em realidade teria chamado o Basti para dirigir a van, pois estaria àquela altura impossibilitado de faze-lo) e nesse acordo jamais houve qualquer compromisso de nossa parte de pagar diretamente aos motoristas da van, e tanto tal fato era de conhecimento de Basti, que finda a primeira parte da tour, este se despediu de nós num clima amigável, não nos cobrou qualquer valor e ainda nos apresentou seu amigo Micha (com sua namorada Kati) que por ironia do destino, vieram a ser exatamente as pessoas que agendaram de última hora o show de Neubrandemburg, o que provou sem sombra de dúvidas a injustiça ocorrida, pois se devíamos ao Basti (como este alegou) teoricamente também devíamos ao Micha (em idêntica situação), o qual, entretanto, comprovando nossa versão dos fatos, nos recebeu de braços abertos no clube que ajuda a administrar.
Finalmente e somente para colocar fim a esta história lamentável, fica aqui a prova que falsidade, boicotes injustos e infantis e discursos ideológicos divorciados de atitudes práticas e coerentes não são privilégios da cena brasileira, pois embora já tenhamos tocado por 4 vezes no Kopi (desde 1999) e onde apenas construímos amizades, fomos vítimas de fofocas e intrigas de parasitas que além de nada produzirem para a cena punk, ainda tentam covardemente boicotar uma turnê, onde pessoas compromissadas apenas com ideais e amizades atravessam o oceano esaem de uma realidade dura que caras como esse nunca conhecerão, permanecem longe de suas famílias e amigos pelos únicos 30 dias de folga que têm no ano, gastam mais de 1300 dólares cada um apenas em passagens, para tocar muitas vezes em shows com entradas de apenas 5 euros...Enfim, a vida continua e quem sabe, mais dia, menos dia, os verdadeiros punks do Kopi, afastem os parasitas de seu convívio e de suas decisões.
Foda-se, de volta ao que importa, chegamos a Neubrandemburg e fomos excepcionalmente recebidos por Micha, Kati e todo pessoal do AJZ. Montamos o palco, passamos o som e mandamos um rango vegan excelente.
Após conversar bastante com Micha que inclusive nos disse sobre a dificuldade de encontrar uma banda de suporte, já que àquela altura muitos punks da região já estavam a caminho do Force Attack e também sobre sua preocupação com a quantidade de público na noite (também em razão do Force Attack), fomos aos poucos sendo surpreendidos com um bom público, o que causou espanto até pelo fato de que o local fica numa área nada urbana, quase que de frente com um fantástico lago, tudo diferente do que estamos acostumados.
Bom, como banda única, fomos pro palco e fizemos o nosso melhor. O som estava muito bom e mesmo com alguma timidez inicial do público, o show acabou num clima ótimo e foi sucedido de uma das melhores festinhas da tour, com uma discotecagem pop anos 80 e muita gente legal. No final das contas, Neubrandemburg acabou sendo um a ótima surpresa.
No dia seguinte após um excelente café da manhã, com a visão do lado externo do pico, nos despedimos de nossos amigos e pegamos estrada com destino ao principal show da turnê, o Force Attack.
01.08.2009 - Rostock (Alemanha)
Acho que umas duas horas de viagem e já estávamos nas imediações do Force Attack. Punks bêbados andando pelas ruas bonitas e pacatas da cidade nos deram a certeza de que havíamos chegado.
A estrutura do festival impressiona logo de cara. Centenas de vans, milhares de barracas, dois palcos enormes, dezenas de banheiros químicos, geradores, umas 30 lojas de roupas, discos, comida e talvez cerca de 100 pessoas trabalhando na organização do evento. O Force Attack é algo que somente se imagina no Brasil quando se fala em festivais organizados por grandes produtoras e patrocinado por mega-empresas, ou seja, só vendo pra crer.
O fato é que, para os padrões europeus e até mundiais, o Force Attack é algo colossal, sendo talvez o maior festival punk do mundo. Nesta edição, em novo local e com novas dimensões, o festival teve cerca de 10.000 pessoas, porém em anos anteriores, já chegou a abrigar 15.000 punks!!
Enfim, entramos e de cara encontramos o Henne do Rawside que já nos deu as coordenadas para montagem do nosso backline e nos mostrou onde ficava o bar/restaurante do backstage, etc.
Uma banda iria tocar no palco coberto, depois outra no palco “open-air” e então já seria a vez do Agro. Deu tempo de tomar várias cervejas, encontrar, dentre outros, os amigos do Rasta Knast, Patti e Pete do Cut My Skin, Katinka, Alex, Timo (Small Town Riot), Rawside, Meyer 77, Tanja, Bachus, Tommy do Molotow Cocktail (ex- Canal Terror), SS-Kaliert e também conhecer e conversar bastante com o vocalista Dirk do lendário Slime.
Nesse espaço de tempo, também nos deparamos com o lendário Joe Shithead do D.O.A. que também chegava ao local, para o show que fariam algumas horas depois.
Chegada nossa hora, fizemos a passagem de som enquanto a banda do outro palco ainda tocava. Bom, finalmente era hora, um palco enorme e as pessoas aos poucos enchiam a lona que cobria toda a frente do palco.
Começamos o show com um extremo compromisso de fazer nosso melhor. Nada justificaria um show meia-boca, problemas técnicos ou qualquer coisa do gênero. Enfim, tocamos com a energia e a “raiva” que devem estar presentes em qualquer bom show de hardcore e o público reconheceu isso. A “tenda” ficou completamente lotada e não demorou mais do que duas músicas pra roda de pogo ser aberta em alto estilo. Quem já esteve na Europa, sabe que isso não é algo garantido em todos os shows e, principalmente num festival com dezenas de bandas, algumas delas extremamente conhecidas, é motivo pra empolgar qualquer banda.
Mandamos nosso set sem muito blábláblá e com um som, ao menos para nós, quase perfeito, terminamos pontualmente o show com um ótimo reconhecimento do público.
Enquanto desmontávamos os equipamentos, nada menos do que o Joe Shithead subiu ao palco e nos cumprimentou pelo “grande show” e se disse muito interessado pela banda, o que ainda mais nos deu motivos pra “enfiar o pé-na-jaca”, pois nossa missão, ao menos musicalmente falando estava cumprida e agora era hora de aproveitar cada momento.
Naquela noite assistimos aos grandes e surpreendentes shows do Rasta Knast e Rawside e ainda do excelente Mad Sin e do (já esperado) fantástico D.O.A.!!
Enchemos a cara em alto estilo na festa que ocorreu no bar do backstage e já completamente bêbados fomos um a um nos rendendo ao sono nas últimas horas da madrugada nas diferentes barracas levadas pelos “Rastas”.
Na manhã seguinte o Jeferson e o Arthur num estado etílico e higiênico lamentável foram levados pelo Ballo para Verden e depois para Frankfurt onde pegariam o avião de volta ao Brasil, enquanto eu, o Axl e o Pedro continuamos no Force Attack.

Os últimos dias...
02 à 09.07.2009
O que pode ser melhor para recarregar as baterias do que uma praia com água gelada, velhos pelados e milhões de joaninhas?!?! Uma praia sem os outros ingredientes é claro, mas o que se pode fazer, estávamos na Alemanha e não no Caribe e foi assim que eu e os caras do Rasta passamos os primeiros momentos do dia.
De volta ao Force Attack, um rango bacana, compromisso nenhum e foi só alegria, assistimos ao quase apoteótico show dos antifa hooligans, Los Fastidios e tivemos o prazer de conhecer seus integrantes, caras muito simpáticos e atenciosos, que pra nossa surpresa, até já conheciam o Agrotóxico!!
Um pouco mais tarde foi a vez do Anti-Nowhere League, uma verdadeira instituição do Punk Rock, que fez um show emocionante!!! Eu e o Martin assistíamos o show do backstage onde uma corda e algumas pessoas da organização nos impediam de assistir ao show de cima do palco (uma parte lateral, não visível ao público). Indignado o Martin discutiu com o cara que nos deixou entrar sob o compromisso de ficarmos apenas naquele local.
Bom, na hora que os caras tocaram o clássico We’re the League, o Martin disse: “Vamos cantar o refrão no microfone” e eu respondi “Mas o segurança vai nos colocar pra fora!?” quando ele respondeu “Who cares?! Ou em bom português “E daí?!” nos já estávamos entoando o hino “We’re the league, Anti-Nowhere League!!” em frente de milhares de pessoas!!! Já pensando em ser chutados do local, fomos convidados para o segundo refrão pelo guitarrista Johny . Incrível!!!
Depois dos shows, num divertido after party com toda essa galera no bar, fomos dormir e depois de acordar e ver os punks queimando barracas, banheiros e tudo que se pode imaginar aos “olhos” de dois helicópteros da polícia que sobrevoavam o local (A.C.A.B.), fomos pra Hamburgo com nossos amigos de lá, no “Expresso do Horror”, um trem com aproximadamente 500 punks que destruíram tudo que eles podiam até chegarmos à cidade.
Eu, Axl e Pedro, nos divertimos muito nos dias seguintes em Hamburgo onde ficamos hospedados na casa do Alex (True Rebel Records), quando então eu e o Axl nos mandamos de trem pra Hannover, ou mais precisamenente, pra casa do Dom do Rasta Knast, onde com todos os integrantes do Rasta, com exceção do Ballo, mandamos o segundo churrasco vegetariano com caipirinha da turnê e ainda fizemos uma jam session no estúdio de ensaio do RK.
Nos dias seguintes, mais diversão em Hannover, até que sexta-feira o Ballo foi nos buscar para juntos irmos para o Resist to Exist em Berlin onde o Rasta tocaria.
O festival tem proporções muito menores que o Force Attack, mas também é muito legal e organizado, e por diversas vezes, fui questionado por pessoas do público e até mesmo da organização sobre o por quê do Agrotóxico não tocar naquele show!! Cool!!
Depois do show do SS-Kaliert, do grande show do Rasta Knast e de momentos especiais que jamais serão esquecidos, vimos o dia amanhecer e com um nó na garganta, pegamos estrada já sentindo o gosto da despedida.
Nos despedimos dos nossos grande amigos Martin, Dom e Atti, bem como de suas simpáticas e hospitaleiras namoradas e fomos de volta a Verden onde reencontramos o Pedro e de onde, no dia seguinte, o incansável guerreiro Ballo (o qual jamais seremos capazes de agradecer) nos levou à Frankfurt para 11 horas de vôo ao Brasil.
Foi sem dúvida uma turnê excepcional com alguns shows inesquecíveis e momentos maravilhosos. Cada vez mais estamos conquistando nosso espaço da Europa e o que é mais importante, fortalecendo nossa sincera amizade com muitas pessoas, às quais seremos eternamente agradecidos por toda a atenção, dedicação e amizade com as quais sempre nos recebem.
Fica aqui, portanto, nosso eterno agradecimento a: Ballo (Rasta Knast + Break the Silence), Rawside, Rasta Knast, Bambix, Cut My Skin, Jens, Ásia, Volker, Nik, Thomas, Alex (True Rebel), Katinka, Tanja, Dackel, Marcos, Bachus, Aggel e a todas as outras bandas, promotores de shows, clubes, squats e pessoas com quem tivemos o imenso prazer de conviver e com as quais ainda pretendemos nos encontrar por diversas vezes.
Danke Schöen!!!!

by Jeferson… the loser!
To sum up 28 dates in a few lines, the road, beers, shows, the road and beers... It’s not the easiest of jobs, however, here are some passages from Agrotóxico in some European squats and punk-clubs.
FRANKFURT, June 12, 2002 Who’s worried about a 14-hour flight with a stopover in Lisbon, etc? Pumped up, with guitars, backpacks, CD boxes and t-shirts in tow, the 4 Agro-rudes disembarked in Germany for another chapter of a Brazilian invasion of European shores. With us are Fabio ‘Cheese’ (always) and (from Brazil) the new members, the latter being responsible for the beer. Waiting for us is Frank Werner, a veteran of the German punk scene that came to Brazil in 1999 for Ronald Biggs’ 70th birthday and ended up at the Olho Seco gig in Lapa (Rio de Janeiro) on the same weekend of our idol’s celebrations.
The story would begin the day after when we picked up the van and hit the road to Rasta Knast’s hometown of Hamburg. Yes, these killer Germans who had been to Brazil were responsible for Agrotóxico’s shows in Germany, Switzerland and Hungary.
Some beers in a Hamburg bar and a German wearing a Brazil t-shirt were the highlights of our last night off before a string of shows of the following days...
RENDSBURG... a city that’s a two-hour drive from Hamburg, it‘s your typical European Social Center, a truckload of nice punks (some we recognized from the Olho Seco tour), beer (always) and a special feeling for the first show of the tour. Two other bands are on the bill: Leistungsgruppe Maulich (Rasta Knast bassist Thomas’ band along with his two brothers and a guitarist)... Damn, a two-bass hardcore band yet they show clear Joy Division influences! These guys are awesome! Here, like in the rest of the tour, are Rasta Knast, needless to say. But this time they’re on their home turf... chaos takes over, these guys can’t be beat! Ok, here we go, it’s our turn... Will the kid (Pedro the drummer) be able to handle his first time ever? "We're the fucking Jungle Punks from Brazil" are our introductory words and ‘O Povo Contra o Estado’ hits the speakers... Go Pogo!!!!
We played the whole set-list, plus Cólera and Olho Seco tunes …After the whole 25 songs had ended the punk crowd wouldn’t hear of it, the Pogo must go on!
BERLIM... Kopi Squat
We bump again into what’s left of the Berlin Wall... One can see clearly the Germans effort to smoothen the evolution differences of capitalist West Berlin in contrast with the communist impression set in East Berlin people. Back to one of Germany’s best known and biggest squats, KOPI is a corroded 5-storeys high building totally occupied by the most active punks we’ve ever known.
The food is vegetarian, the (warm) beer is free and the squat people are already setting up the stage. It’s a fantastic place with two rooms for shows and two bars where the punks get together. Just like a movie scene: I am walking around with (guitarist) Marcos and we are reminiscing about our previous tour there with Olho Seco while we go from one bar to another and we overhear Olho Seco’s Fábio voice on the loudspeakers! The bar is crowded by punks and the soundtrack is ‘Nada’ by Olho Seco (this band Fábio invented kicks some serious ass!). 500 punks gather round the main room... Go pogo!!!! On that night France’s Action Direct and, of course, Rasta Knast, also perform.
We’re still in Berlin, heading for a turkish district, when we meet up with Ratos de Porão’s Jão and Fralda... coincidentally they had played Berlin on that same Saturday night… Needless to say we drink till early morning when RDP drunkards jump in a cab and go their own way. It’s World Cup time and Sweden x Senegal are to play at 8:30AM... The Rasta Knast guys root for Sweden instead of Germany. Go figure… It’s 10:30AM. The ones who are able to sleep have to drive to the next city…
MÜHLHEIM and BOCHUM... These are the cities the guys at DIRTY FACES Records come from, it’s the label that put out the vinyl version of Agrotóxico’s debut (‘Caos 1998’) in Europe. We get to meet over there some old friends who’d already been to Brazil: Freddy, Volker, the same Frank Werner, all of Gee Strings, etc… Sunday night in MÜHLHEIM, yet another punk occupation on a perfect stage, a crash pad for the bands, beer and even caipirinhas (strong Brazilian drink)! A curious fact: ’ is that guy who’s always selling T-shirts, CDs, buttons and setting up things on every Agrotóxico show. He’s also been to the Olho Seco tour! So a girl comes over to the stand to buy a t-shirt and she says that she’d traveled hundreds of miles just to see the show… The shithead (i.e. ‘Cheese’) asks if she’d come all the way just to see Rasta Knast (a common thing). The girl answers: ‘No, I’m into Hardcore. I’m here for Agrotóxico!’
BOCHUM... Monday! After watching, in a pub, Brazil beat Belgium we spend all our money at Dirty Faces shop (so much vinyl to carry!). We throw a BRAZIL x GERMANY evening party that’s set up by Dirty Faces in a little pub the local punks go to… A lot of caipirinhas (provided by Renato), ice-cold beer (Brazil-style) and only our acquaintances… On this night Rasta Knast won’t play, so the Agro-Toxics are on their own! We end there our first 5 days and 4 gigs, 247,000 empty beer cans/bottles and no bath! Ah... that’s more like it!
So in Germany we have more dates, and some of the best include FREIBURG, set up by EXPLOITED’s manager, and Hamburg where we are honoured to play at the Marquee – St. Pauli Club with SCATTERGUN (one of the greatest female-fronted bands we’ve ever seen!). At the same Marquee there will be gigs by D.R.I. (celebrating 20 years), D.O.A. (Canada), Union 13, Shelter, U.S. Bombs, Molotov Cocktail and MDC in the following weeks... Goddamn!
Another day off in HAMBURG... Tattoo sessions by Renato and his hellish needles on Rasta’s bodies and, after we all crash at Thomas’ flat, we go to St. Pauli FC’s stadium. And let’s not forget that Flavio ‘El Loco’ and the Flicts are some of the biggest St. Pauli’s Brazilian fans!... ‘You Will Never Walk Alone’! We still have time to go to a British-filled pub and watch Brazil beat up England!!! What a laugh. The match gives the city a different mood this day. All Africans and Latins are on our side but there are lots of English supporters in every pub!!! Another evening of pinball and satanic drinks with Scattergun at the MAX BAR in Hamburg before we have to leave in the morning for shows in Holland. Our ‘man behind the wheel’ is Rasta Martin. To haul all our gear the world famous duo Fabio Cheese and Werner have to stay in Hamburg. They don’t have a hard time there as they catch U.S. Bombs and Down By Law in the same show!!
HOLLAND
...A few telephone calls down the road and we meet the ANTIDOTE guys, our partners and organizers in Amsterdam. We take the night off for more beer before we go to Den Haag (The Hague) for the following day’s first show. Nice cops they have over there: here are Martin and us lost in them canals, looking for a fucking punk bar and we ask the biking policeman for directions and he can’t give us any! We move on and then decide to get back to where we were. As we walk past the cop again we hear: ‘HEY, YOU GUYS, I GUESS I KNOW WHAT YOU’RE LOOKING FOR… THE BAR IS 3 BLOCKS AWAY DOWN THERE’... Fuck! So he knew where the flee-infested bar is and didn’t bother to tell to a couple of lost and stinking jungle punks... We soon remember the Brazilian police ‘kindness’ on the outskirts of Cidade Ademar (South of SP)! We felt like we were on the set of ‘From Dusk Till Dawn’: a dimly-lit room, fiery walls, psychotic people and psychedelic music playing at 10…Amsterdam!
DEN HAAG (De Blauwe Aanslag Squat)... Another great show in a nice squat. By this time we (Agrotrashers) are playing tighter and it gets better every show. It’s also the first time we see ANTIDOTE live… Plain damn fantastic! Besides doing lots of European tours the guys had also been to the USA and they know how to set the place on fire. After the show, another night of drinking and fooling about awaited us.
AMSTERDAM... Back to the world’s most incredible city for the last show in Holland! We still have enough time to go to a pub and watch Brazil reach the World Cup final by beating Turkey 1-0… Fuck, there are more Turkish than Dutch in this city!
In the evening we are at the OCCII Squat… The walls are covered with Ação Direta and Nitrominds stickers, DRI and DOA flyers, and lots of Latinos show up: people from Portugal, Venezuela, Angola, Mexico, Italy... even from Holland! ANTIDOTE kick ass on stage and this time we have to put on a greater show. Besides the 23 songs we usually do we play cover songs by Cólera (‘São Paulo’) and Olho Seco (‘Nada’).
HUNGARY
Back to Hamburg to rejoin RASTA KNAST. Destination: Hungary. 12 hours by van. June 28 is this pillock’s birthday, yours truly. It’s an all night long trip! So we celebrate right then and there in the van: we buy a load of cheap wine at a gas station and while listening to Martin’s tapes and Florentin at the wheel we head for the Iron Curtain border. What a fucking hungover…
Passports at the Austria-Hungary border and the world turns into communist red. It’s a great feeling that makes us believe that it was worth it to have been playing with this fucking band for 9 years at all hellholes and joints facing every setback we can imagine! Damn, the bloody Americans are coming… one McMurder’s along the way! And a giant Exploited poster (they’re coming over next week).
GYOR...This is the town. The festival we’re playing at is one of Europe’s most renowned (V. ÚJ HULLÁM FESZTIVÁL)... More than 30 bands are scheduled to play, including GBH, Aurora, Rasta Knast, The Revolvers, Poison Idols, etc, etc, etc... It’s going to be at a riverbed and everyone has to take his/her own tent. I mean, everyone: the fans, the bands, organizers. The stage is set up under a giant circus tent and it’s one band after another for three days in a row. Ours is the responsibility of finishing the last day of the Festival. We can see how popular Rasta Knast is outside of Germany: nearly 2,000 punks sing along and raise hell. Aurora is Hungary’s all-time famous band, they‘ve been on the road for almost 20 years and they sound like the Hungarian Sex Pistols! We get on stage without a communist speech this time… the show is great. We get a bass string broken… I take Thomas’ bass… you can’t stop rock’n’roll! Afterwards some punks come over to the van to tell us Brazilian hardcore is the best (and some such lies)!
The girls are pretty but none of them speak English... just Hungarian and Russian (obligatory subject matters at school). With the beginning of the democratic process in some Eastern Europe countries and the fall of the Soviet Union some Hungarians have the opportunity to study English or even get out of the country easily, but Hungary is still poor and, like Brazil, not everyone gets that chance. German is also taught at school. Few of us can speak fluently, but we get a helping hand from the Rasta Knasties.
The next day is World Cup final. Talk about coincidences: BRAZIL x GERMANY!! We have to get a TV set around here to watch the game… With no nationalist sentiment, we have to admit that when you’re outside Brazil you end up giving more value to the things that represent your country! Fuck (Brazilian Federation president) Ricardo Teixeira and (TV Globo anchorman) boastful Galvão Bueno and all those who worship this fucking Brazilian team…But we’re going to root for Brazil to fucking beat Germany! Hahaha...
We find a side road diner that has a beat-up TV set. Over 30 punks coming from the Festival also stop by to cheer for their team. Yea... we’re the best in football!
On the same day we’re on our way back to Germany and the Rasta boys have got to hear the Hungarian border policeman’s jokes about Brazil’s victory over them... Back in Frankfurt we split for good from our brothers in Rasta Knast. Two days off in the city for more beer with our friend Frank. Another record store and we find a flyer for a TOTAL CHAOS gig… Fuck! We can’t miss that. Frank knows the girl in the squat and leaves her a message saying he’s got a Brazilian band that can fill in just in case TOTAL CHAOS don’t have an opening band. Just like fate: the girl calls back offering us to open for them… 10 minutes after we leave to see the show! Our drummer Pedro is left behind so we arrive drumless at the squat and can’t play… Damn! This is the big hard luck bit in the whole tour! But that’s all right, they put on a brilliant show and this is another band that wants to come to Brazil pretty soon.
PORTUGAL
Leaving Frankfurt... we face boarding problems at the airport, including Renato’s tattooing equipment… Lisbon at last. First thing to do: to eat a codfish cake, another Fabio ‘Cheese’ brilliant idea!
It’s the last 4 days and we’re already feeling like we’re in Brazil. Portugal feels like home. We can hardly go to Europe without stopping by Portugal. Once again Ataque Sonoro Records’ João Pedro set it all up. This time with the invaluable helping hand of Gil Guerreiro (Punk’n’Gil). We hit the road to Algarve. We have some time to take a look at the Albufeira beaches before we go up the mountains to the farthest Loulé. Some good Portuguese bands are playing tonight at a club founded by a crackpot nice Frenchman who defied the local traditions to put up punk shows there.
Another 6 hours on the road to ‘Montijo’, a small city across the Rio Tejo (a few miles from Lisbon)... one of the funniest shows of the tour. A small turnout, it’s true (30 stray punks at the most). But it’s a small bar and there’s no stage. Feels like Agrotóxico! There had been a gig by Mata-Ratos there (the band that once claimed Agrotóxico to be one of their favorite bands).
We meet two Portuguese, Sofia and João. Gosh, these guys are nice and they follow us in our van up to Lisbon, after we drink hundreds of (Sagres) beers at a joint in Montijo.
LISBON... At the Casa Ocupada garage. It’s the last show of the tour. Same place we finished the 1999 Olho Seco tour. We meet once again several old friends and we play Cólera, Fogo Cruzado and (natch!) Olho Seco tunes...
Obviously we’ll never forget these 28 days, considering the experience this has been added to our lives and this sucker of a band...
Millions of thanks to João Pedro and Patrícia (Ataque Sonoro), Bart, Joris, Jaeques, Arne (all of ANTIDOTE), Frank Werner, Volker (Dirty Faces), Vasco and Freddy for their commitment and help…
Most special thanks to MARTIN, THOMAS, and (Rasta Knast... rules!). See you on the next tour!
Visit the photo section of the site and access another 36 images of the 2002 tour!

DYNAMITE MAGAZINE 2002
"That’s right, folks, life’s full of challenges, and here I was getting ready to be challenged once again. I’ve never done an interview with a band I was SO MUCH friends with, after all I follow them on a day-to-day basis. But since punk rock is about being sincere about it, this interview was done in great style. Of course, it had to be done in a pub and fueled by lots of beers…
So sit back and relax and get to know this upcoming band that’s carving its place in the scene. You will get my meaning because I believe that, if they keep this pace and commitment, in a few years’ time they’ll become one of the best hardcore bands in the Brazilian and European scene. So let’s get to know a little more about AGROTÓXICO".
(interview by Flavio "El Loco")
HOW, WHEN AND WHY DID AGROTÓXICO HAPPEN?
Marcos –When Mauro came up to me he’d already had a drummer, so we started out rehearsing in the worst conditions ever… We wanted to express ourselves through the music, to get it out of our chests, we felt like playing to get that adrenalin rush on stage.
FROM THE EARLY LINE-UP YOU’RE THE ONLY REMAINING MEMBER... ARE YOU THE MORE PERSEVERING HARDCORE ENTHUSIAST?
Marcos – You see, I’m the leader (laughs). Then there came Jeferson and Renato, the thing was we only got metal-minded drummers and they‘re all enthused to start with but only those in the trade hang around longer. Now that we’ve got Pedro on drums we have a stable line-up".
ASIDE FROM PEDRO, THE YOUNGER ONE, YOU’VE GONE THROUGH IT ALL IN THE HARDCORE CIRCLE. WHY ARE YOU STILL AT IT?
Marcos –This is not a ‘here today, gone tomorrow’ thing. If you’re into it it’s for life. There might be times when it’s more intense, where you’re more involved with it, you go to more gigs and stuff, but you’re never tired of it.
ON THE FIRST RECORD YOU TACKLED ISSUES THAT HAD MORE TO DO WITH THE PERIPHERY AND CRIME, ISSUES THAT ARE MORE AKIN TO RAP MUSIC. WHY IS THIS SO?
Renato – In fact I think that Punk has had an influence on Rap, it has always dealt with street life...
Marcos – We’ve always felt that there was no sense in dealing with issues outside our daily lives, things like wars and the atomic bomb. This isn’t what living in the periphery is all about. What we felt more about was finding out that a long time friend of ours had died, gone to jail or was smoking crack in some street corner. That was our thing. We’ve never regretted what we’ve dealt with.
Jeferson – We’ve always lived in SP’s south side – a district with the highest crime rate – we flied kites, we walked on rollers, played football with slum dwellers. How could we possibly talk about the Neutron bomb, Gorbatchov, etc? The reality around us was someone dying on crack, police patrols driving past…
ON YOUR SECOND CD YOU’VE BECOME MORE POLITICALLY-MINDED. WHAT CHANGE HAS GONE IN YOUR MINDS?
Jeferson -The songs on the first CD were done during several years and represented different times in the band. The second CD sees us in our present and personal mood, with a little more political involvement, we’ve got a broader view of the problems.
Marcos – It also has got something to do with the fact that we’ve been through the squat scene and we interchanged with European bands. They come over to play, we go overseas. Things evolved from there.
THE FIRST CD CAME OUT IN 1998. WHY DID YOU TAKE SO LONG BETWEEN ALBUMS?
Jeferson – Our having played with Olho Seco, too many shows, the European tour, our former singer having left to devote himself to ultimate fighting and then Renato joining in, plus we had to write new songs… all this took us some time.
YOU TOUCHED ON A GREAT SUBJECT, CHANGING SINGER. HOW MUCH HAS THIS HINDERED YOU?
Jeferson –It hindered us for a while... Our intention is to do something among friends. Renato wasn’t with any band, he hadn’t got any experience but he had been coming to every show we did.
A FRIEND TO PLAY IN YOUR BAND? SO NOT ONLY HE HAD TO BE GOOD BUT ALSO HE HAD TO BE A CLOSE FRIEND?
Marcos – I remember me and Jeferson having agreed that if no one showed up, either one of us would take on the vocals or we would split.
MORE IMPORTANT THAN PLAYING IS TO BE AMONG NICE PEOPLE, HAVING A GOOD TIME AND MAKING A SOLID FRIENDSHIP…
Marcos - This is more important than everything else!!
ONE HALF OF THE BAND ALSO PLAY WITH OLHO SECO. DOES IT HELP OR IT JUST GETS IN THE WAY?
Marcos - It helps more often than not. When we started up with Olho Seco it was amazing! We could hardly believe we were playing in Olho Seco. On this European tour we met a lot of people and we made lots of contacts that enabled us to tour as Agrotóxico. One of the best things was our friendship with the guys in Rasta Knast, which is tighter now and it’s all down to the fact that we played with them on the Olho Seco tour.
WHAT’S THE DIFFERENCE BETWEEN AN OLHO SECO AND AN AGROTÓXICO SHOW?
Jeferson – To play with Olho Seco is a fantastic experience! We were OS fans from way back in the 80’s, we were able to tour all over Brazil thanks to them and it was great! Agrotóxico is our band, we created it. Both situations are great!
Marcos – We like one as much as the other. Agrotóxico is just a garage band. Olho Seco draws huge crowds anywhere they go and they are known worldwide, and we’re trying to make this happen to Agrotóxico.
WHAT DO YOU THINK OF THE SCENE’S EVOLUTION SINCE YOU GOT THE BAND GOING?
Jeferson – It has evolved a lot. There’s much more places to play, many 12-year-old kids come to the shows with spiky hair, bands pop up everywhere. But it still has it flaws, after all to keep a scene growing in a third-world country is no picnic. A lot of people are committed to it and it’s going down well.
Marcos –This is no criticism but we can’t lose the “do-it-yourself” aspect of it. Now things are easier to get and the kids cannot afford to forget that it can be ephemeral, it may be gone overnight. If every day nobody works to build something more you can lose everything, for the foundations might not be that solid. So don’t be lazy. If you don’t break new ground, this may come to an end some day.
TO ME ‘HANGAR 110’ IS THE BIGGEST FOUNDATION OF ALL. WHAT DO YOU THINK?
Marcos –I may have unconsciously be referring to (the club) Hangar 110. Today things are easier. The best thing about it and (its owner) Alemão is that they don’t discriminate against anyone, everyone can play there. But we just can’t settle for that, we should go find other places because someday Hangar might shut down, and then what???
WHAT’S IT LIKE TO BE ON A LABEL WHOSE OWNER PLAYS WITH YOU IN THE BAND?
Marcos –It only helps, it’s great to know that every time we have new stuff we don’t have to look for a label.
Renato – It’s always the same idea: to commit yourself to change the most important things around you! It’s a very anarchist thing, the label does what it wants…totally authentic.
BACK TO THE CD. THIS SECOND ALBUM GOT A GREAT PACKAGE. HOW DID THIS EVOLUTION COME ABOUT?
Jeferson –The first release is always the toughest. Marcos and myself never wanted to put a shitty-sounding record out there. We’ve always wanted something of a higher quality, like the best CDs from European and American labels, such as Oxymoron, Sick Of It All, etc. To put it in a digipak format followed that idea.
Marcos – It’s like we can’t settle for that, it would be easier to do like the first one, we’d get a so-so recording and cover, but we made sure it got the best production and the next after that should be even better.
Renato – Everyone deserves good quality stuff, be it the music, the words and the cover. That’s what we tried to do because we like it.
HOW IS IT SELLING AND ITS RESPONSE?
Jeferson – The CD is selling well, everyone liked it and we have gotten good reviews. We have sold all the copies we’ve taken on the European tour. The important factor is its being recorded at Mister Som studios and produced by Heros Trench, the guy that’s recorded everything by Agrotóxico up till now, way back from the demo-tape times, and he’s like the band’s fifth member. It will be out in Germany by Dirty Faces Records, just like our debut.
TALKING OF GERMANY, YOU’VE JUST GOT BACK FROM A EUROPEAN TOUR. HOW WAS IT LIKE?
Jeferson – It was mind-blowing. To begin with we went down there as guest to our friends in Rasta Knast. Had we been there just to drink beer it would’ve already been worth it! It was wild to play with the likes of Scattergun, Rasta Knast and Antidote at the venues where D.O.A., Total Chaos, U.S. Bombs, D.R.I. among others.
Renato – The flyers, man. You could see that a week ago D.R.I. had played there and the following month you’d get RIISTETYT, KAAOS, UK SUBS, Ratos de Porão and all the classics… Really wild.
Marcos – Besides all this there’s the internationalization. We get to play with bands from France, Portugal, Germany, Hungary and other places we’ve never heard of before.
Jeferson – Germany is a superb country. Over there they keep the origins of punk. The squats, there’s lots of touring bands, spiky hair, beer galore. There’s a huge scene!
Renato – This is all down to doing what you do with your heart. The looks, the beer and the kids together… You make an effort to walk it like you talk it.
HOW ABOUT THE ATTENDANCE THERE? IS THERE A MINGLING OF TRIBES – PUNKS, SKINS, HARDCORE, WITHOUT FIGHTS?
Marcos –That’s the biggest difference. There’s only fights among the dogs. The gig-goers know exactly that, although there’s this tribe mix, everybody shows up with the same ideal, that it’s for fun and to interact with each other and sometimes there is a major cause. Oftentimes we play for the benefit of a social cause. It’s deeper than that.
Jeferson – There’s a stronger political engagement in the squats, especially about punks connecting with other people. There’s a big applicability of anarchy in its real form: the struggle for a cause is bigger than anything else.
DID YOU MAKE ANY MONEY?
Marcos – It was fucked up... a ham sandwich cost 10 bucks! Whatever money we made from shows we spent on the van’s rent, gas, tolls, food and a few beers.
Renato – We‘re still paying the cost of that trip (laughter)!
HOW WAS IT LIKE FOR FOUR GUYS TO SPEND 28 DAYS INSIDE A VAN? WAS THERE ANY FIGHTS?
Marcos– We were six guys, all stinking, lots of smelly feet… You inevitably feel the stress!
WHAT ARE YOUR INDIVIDUAL INFLUENCES?
Jeferson – We listen to all kinds of punk and hardcore, Discharge, Conflict, Youth Brigade are some of the best.
Renato – I’m into a lot of stuff… Varukers, Discharge, Secunda, Canal Terror, Social Distortion, Cock Sparrer and a whole bunch of noisesters.
Marcos – Varukers, Exploited, D.R.I. And from Finland there’s Lama, Appendix, etc.
IT’S ELECTION TIME. ARE YOU PREPARED TO VOTE?
Renato – Although I’ve always kept a more anarchic stance, such as ‘none of the above’, in the last few years I began to think that we should pick the lesser of two evils.
Marcos – I’ve always voted for the Left, but I used to vote ‘none of the above’. Now I guess by doing this it allows people to elect someone else for you.
Jeferson – Elections ain’t worth the trouble. It’s a manipulation of the masses and anyone can be elected. It’s no use.
IT’S A YEAR AGO TODAY SINCE THE WTC ATTACK. WHY DO YOU THINK THIS HAS HAPPENED AND WHAT’S ITS CONSEQUENCES?
Marcos – Nobody in his right mind would back such a thing, but we have to admit that this is due to the seeds the US have sown all along. To prove this they are going to bombard Iraq with no apparent reason.
WHAT WILL THE FUTURE BRING ACCORDING TO AGROTÓXICO?
Marcos –There’s not much to expect. We hope to keep having fun as much as we’ve been having till now and keep on writing new stuff so the punks can hear!
Jeferson – To drink more beer together 40 years from now.
Renato –To do more interviews for Dynamite!! This can only happen if we keep this friendship between the band members and the other people around us. If this comes to an end, there’s no point anymore.
YOU’RE FREE TO LEAVE WHATEVER MESSAGE YOU WANT TO THE READERS.
Renato – Sometimes we see some kids who are not willing to pay 5 or 6 bucks at the door and end up spending the same amount on beer inside. I mean, is it more important to drink yourself silly than to have some culture? To value the scene you’re part of is as important as getting drunk. Right?